Nem Kafka, nem Javé: ou o cidadão brasileiro faz alguma coisa ou não será feito!
A América Latina tem ultrapassado o limite da razoabilidade politica há muito tempo. Até mesmo o Chile, que apresentou ao longo das últimas décadas um bom índice educacional associado ao progresso econômico e social que o mantinha com bons índices de qualidade de vida, nivelou-se à decadência dos seus vizinhos e dos roubos e furtos costumeiros. Assaltos, corrupção e desemprego têm empestado a paisagem por lá, ainda que, de modo estranho, a imprensa local disfarça alguns desses painéis, sabe-se lá movida por que tipo de objetivo.
Nem Kafka, nas suas mais tenebrosas caracterizações do absurdo, e nem mesmo o deus bíblico com a sua imperiosa tendência a tornar tortuosos os caminhos desta humanidade, com a curiosa desculpa que assim “escreverá certo” ainda que seja de maneira tortuosa, conseguiriam compor um enredo tal qual o que nós, brasileiros, somos obrigados a testemunhar e a dele participar, posto que somos os atores desse roteiro tragicômico.
Ainda que reclamemos dos “outros”, somos nós, cada um de nós, os reais autores e atores da mediocridade que nos aflige.
O grau superlativo dos problemas acumulados, a saber, maiores escândalos no campo da corrupção e do suborno, a quantidade de mortos ao ano que supera aquelas que acontecem em pleno Oriente Médio, pedaladas morais à moda tucana, pemedebista e petista – na verdade, de todos os matizes - com uso indevido dos fundos de pensão de diversas classes do funcionalismo publico/privado, assassinatos jamais esclarecidos, roubos, desvios e chantagens de toda ordem, põe um “selo de falência garantida” na máquina pública e no sistema político brasileiros.
Se apoderar dos conceitos das lutas ideológicas para poder perpetuar crimes de toda ordem, justificando-se pelos tais ideais que dizem defender, parece ser o veneno que imbeciliza tanto a direita como a esquerda brasileiras e haja “centrão” para dominar a cena política efetivamente resolver com sua augusta pequenez os problemas pendentes do país.
Desde os tempos de Sarney que escuto discursos que atentam contra o que resta da minha tosca inteligência, contudo, jamais imaginaria que os civis brasileiros chegariam ao ponto de registrar nas suas próprias frontes o carimbo de incompetência na expressão das suas cidadanias.
E nós, o povo brasileiro, que tipo de marca temos também nas nossas faces a não ser a mesma que emprestamos aos que nos representam? Falimos todos! O câncer da corrupção e a metástase dele advindo, corroeu todos os segmentos da sonhada nação brasileira que, em tendo um país, esquece de ter vergonha na cara para formar realmente uma nação de seres humanos minimamente esclarecidos e com alguma tendência à honestidade. Mas é necessário insistir, sempre!
Saber o “Brasil que eu quero” é importante. Contudo, em nos “tornando milhões de uns”, como prega a Globo nas suas transmissões futebolísticas, arrebanhados, jamais saberemos se poderemos ou não construir o tal país que queremos.
Infantilização e expressão adulta de cidadania não combinam!
Acho que nem o absurdo de Kafka, nem o aspecto tortuoso da mente do criador bíblico conseguiriam engendrar políticos tão desonestos para com o próprio deus que dizem acreditar e honrar, ou com alguma noção de código filosófico de conduta voltado para a nobreza de princípios e de propósitos.
Lastreando a mediocridade política, eis que surge também a de ordem religiosa, quando muitos transformam os nomes de deus e de Jesus em objeto fácil de venda e de influência, aplicando-os a cada frase que dizem, a cada mentira empregada, usando, em vão, o que deveria ter algum valor no campo da moral para esses useiros e vezeiros da crendice alheia.
Longos séculos de lutas e de tentativas para separar religião e estado, e eis que surge o bloco da desonestidade religiosa que usa da fé de idiotas uteis para compor suas fileiras com a justificativa de que é preciso criar o “povo de deus” para exercer o poder. Dizer o quê?
Sancta simplicitas!
E assim caminhamos nós, povo brasileiro, para o fim de muitas coisas que sempre foram sonhadas para esta pátria, mas que jamais passaram de letra morta em constituições malucas e em palavras vazias expressas em discursos ridículos, mas fazer o quê, se o brasileiro adora a verve fajuta que o engana e o faz sonhar? Estimemos que sobrem “coisas” aproveitáveis!
O que dizer de um povo que defende e elege pessoas declaradamente corruptas, desonestas e bandidas? A simples leitura dos fatos produzidos por essas figuras já deveria ser suficiente, não para julgá-las, pois esse é o pretendido serviço que cabe à Justiça e a Deus, e nisso não me meto. Mas ler os fatos produzidos por presidentes, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores é atitude mental saída e necessária a qualquer democracia e, convenhamos, quem sabe realmente ler neste país?
O que esperar de um povo que deliberadamente elege bandidos e aproveitadores da boa fé religiosa das pessoas?
Não há muito o que podemos fazer nas eleições para o executivo, a não ser procurar votar com decência e acompanhar o desempenho dos nossos presidentes, governadores e prefeitos. Aqui impera a disputa do poder pura e simples!
No campo, porém, das eleições legislativas, podemos sim fazer algo mais, além de votar de modo digno: podemos criar um campo virtual de discussão para atuar nas campanhas legislativas e ajudar a eleger representantes que se comprometam a, caso eleitos em campanhas limpas e esclarecidas, antes de votar nos fóruns do legislativo, discutam com a sua base virtual as matérias em questão.
Desse modo, livres de conchavos com o executivo seja em que nível for, poderemos não só oferecer às novas gerações uma maneira decente e limpa de se fazer politica no âmbito do legislativo - mas que influenciará o executivo -, de utilizar a nossa cidadania de modo objetivo, sem nos sujarmos com campanhas desonestas, como também de interferir na política do nosso país em todos os níveis.
Foi para propiciar esse espaço virtual, livre de poluição ideológica deformada e de interesses corruptos que surgiu o Instituto de Estudos da Política Planetária – IEPP, que trabalha tendo como base de atuação, as comunidades municipais e estaduais que nele surgem, como modo de participar tanto das eleições legislativas como da própria vida política do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Vereadores.
Foi-se o tempo em que só votar era o suficiente.
A bandidagem se dedica 24 horas por dia a dominar a política brasileira recebendo todo tipo de fundos, inclusive para fazer campanhas com recursos públicos.
Faça alguma coisa além de votar.
Conheça o IEPP!

Rogério Freitas